Ana Vilela que me desculpe: a vida não é trem-bala

A música da vez é bonita, sim. Faz muito sentido, sim. Mas eu sinto, pensei e tive vontade de dizer: a vida do ansioso crônico é tão diferente.

Dizem que o bom da vida é que os dias passem depressa e os anos devagar, de modo que a gente consiga valorizar mais as datas marcantes, comemorativas e ter menos tempo para sofrer as picuinhas, o trânsito e os excessos do trabalho.

Pro ansioso isso é impossível. A sensação de ter ansiedade é viver sempre um domingo. Você tem o hoje, sim, mas o amanhã não te deixa quieto, não te permite ser pleno hoje. No domingo não pra virar a noite na farra e beber despreocupado. Tem alguma coisa que sussurra.

Eu penso em obrigações o tempo todo. No dia que vou arrumar um emprego melhor. No dia que vou acabar de escrever minha dissertação e ler algo satisfatório ali. No dia que terei menos dúvidas sobre relacionamentos amorosos. “Dia que, dia que”.

Nada disso é hoje. Mas eu penso tudo isso hoje. A cabeça voa, o fluxo de pensamentos é realmente um trem-bala. Mas o dia se arrasta, como a bola de angústia que eu sinto subir pela minha garganta. Hoje eu não tenho obrigações. Hoje eu posso cuidar de mim.

Mas meu coração é domingo. Um domingo teimoso, de tempo esquisito, em que todos os livros parecem desinteressantes e a diversão parece inacessível. Passa, eu sei que passa. Porém não sem cicatrizes.

A ansiedade tortura. Todo dia um pouco. Um pouco de domingo em toda sexta. 

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